domingo, 26 de março de 2017

Sobre frustrações e depressões

Ok, eu sei, ninguém lê esse blog. Mas, se por ventura você chegou até aqui, ou se eu dei o endereço pra você, isso te torna especial por algum motivo. Mas eu queria te avisar que o texto a seguir é ridiculamente deprimente...

Assisti na Netflix o especial do Felipe Neto (Não faz sentido). Achei que ia ser uma pegada meio stand-up comedy, mas desde o início ele avisa que não é, que é um texto sobre a vida dele.

E ele vai contando como levou porrada da vida até conseguir fazer sucesso. Quantas vezes ele se viu derrotado e sem estímulos pra continuar, mas mesmo assim continuava. E depois de tantas frustrações, finalmente ele conseguiu emplacar um vídeo no youtube, caiu na mídia e começou a ganhar dinheiro com isso.

Ele levou porrada na vida até um certo ponto e lá pelos 22 anos conseguiu o que queria e se achou. E ele fala na peça como a gente deve enfrentar nossos medos e seguir nossos sonhos, independente do que falam pra nos diminuir ou nos atrasar.

Ok, sai do Felipe Neto, corta pra Livia.

Eu não consigo me lembrar quando foi que eu não me senti frustrada. E quando comecei a me comparar com o que eu tava ouvindo no vídeo, listei a situação da minha vida:

Eu tenho 33 anos e não tenho absolutamente porra nenhuma: nem apartamento, nem dinheiro, nem sonhos, nem perspectivas, nem companhia, nem amigos verdadeiros.

Eu tenho um cachorro que não mora mais comigo e um carro que divido com o ex.

Cara, que bosta de vida.

O pior de tudo é que eu me acho uma pessoa razoavelmente inteligente. Mas o que foi que eu fiz da vida?

Estudei que nem uma filha da puta pra entrar e pra sair de uma faculdade onde eu nunca me encontrei.

Comecei a trabalhar em empregos que não me completavam e só me via mais deprimida a cada dia.

Fui demitida porque, convenhamos, quem quer trabalhar com gente depressiva e desmotivada, ainda mais em meio a uma crise?

E o que eu fiz? Fui estudar de novo pra mudar de área. E agora?

Agora eu tenho um outro emprego que ultimamente não tem me preenchido mais e, por isso, a mesma frustração voltou só que com uma cara nova.


Eu fico me perguntando o que meus professores da escola falariam ao se deparar com essa decepção de pessoa...

Aí vamos falar de vida pessoal:

A única relação duradoura que eu tinha acabou e eu fiquei sozinha.

Meus "amigos" não tem tempo pra mim. E olha que às vezes eu imploro por uns minutos.

Moro com a minha mãe numa casa onde eu não sou bem vinda porque violo uma dinâmica que não me cabe mais.

Não tenho meus móveis, minhas coisas, minha casa, meu cachorro.

É, tá foda...

Aí eu fico ouvindo a voz do Felipe Neto dizendo que a gente não pode desistir dos nossos sonhos. Gente, nem sonho eu tenho mais!

Eu vivo um dia de cada vez, repetindo a mesma rotina, as mesmas tristezas, as mesmas decepções.

E fico com a sensação de que a minha vida ainda vai dar certo, ainda vai começar.

Mas e se já tiver começado e terminado e eu não percebi?

A cada dia fica mais difícil me ver mais perto dos 40 anos numa vida frustrada, sem sonhos, sem direção, sem pessoas... só eu.



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