"Com certeza você já passou por essa situação. A pessoa liga para o seu telefone. Você atende:
– Alô, Fê?
– Não é daqui não.
– Ué, não é o telefone da Fê?
– Não, não.
– Tem certeza? Ela me deu esse telefone ontem
– Não, amigo, não é, tenho certeza.
– Claro que é, eu já falei com ela nesse telefone! Chama ela aí!
– Não é, é engano, ok?
– Não é engano, você que tá falando besteira, esse telefone é da Fê sim!
E o sujeito segue tentando TE convencer de que o SEU telefone é da
Fê. Você sabe que não é, mas ele insiste e tenta te convencer. Muita
gente age assim com o amor. Quer convencer o outro de que ele sente algo
que não sente. Não se conforma e tenta de todas as maneiras convencer
você de que você sente algo que você sabe e fala que não sente, ou mesmo
se não fala, não sente. E a pessoa não desiste e segue tentando,
percebam, não tentando fazer você se apaixonar, mas te convencer de que
você já está apaixonado.
Eu entendo e sei bem que é difícil lidar com isso, com alguém por
quem você é apaixonado não ser apaixonado por você. Quem nunca pensou
algo como “como você pode ficar com esse cara que te traiu com a
professora de Ioga de vocês?” que atire a primeira pedra. É difícil,
dói, a gente tenta se iludir, se convencer, tenta fazer doer menos. Não
conseguimos entender como aquela pessoa pode não se apaixonar por alguém
como nós. Que coração de pedra, que mau gosto! Como ela pode preferir o
advogado bem sucedido bonito, sarado e rico a mim? Como ele pode se
apaixonar por aquela bailarina linda, magra e simpática e não por mim?
Inaceitável! E é nesse ponto que agimos como o cara que liga procurando a
Fê.
É nessa hora que achamos que sabemos mais que a pessoa. Aí
encontramos justificativas como “Você está com medo de se entregar”,
“você me ama e não sabe”, “você não quer me dizer que está apaixonada”
etc. E a pessoa se sente como a gente quando ligam pro nosso telefone e
tentam nos convencer de que aquele telefone é da Fê. E a pessoa não quer
ser direta e dizer que não tem nenhuma Fê ali, por medo de magoar a
outra pessoa. Então ela enrola, ela desconversa, tenta sair pela
tangente, mas, quanto mais a pessoa tenta não ser tão direta, mais isso
alimenta os “você tá com medo de se entregar” e “você ainda não sabe que
me ama”. Mas a verdade é: não tem nenhuma Fê ali.
A pessoa não está com medo, nem te ama sem saber, ela simplesmente não te ama, não está apaixonada.
Porque o pior não é ouvirmos que não tem nenhuma Fê ali, o pior é a
pessoa, por vergonha ou medo de magoar, se cansar e dizer “Tá, tá, eu
sou a Fê sim, pode falar”. Porque aí você vai entrar em um
relacionamento com a outra pessoa pressionada a te dizer que sente algo
que ela não sente.
Enquanto isso, a Fê verdadeira está em algum lugar
por aí."
- Léo Luz -
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